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Sábado, 14 Dezembro 2019 - Periocidade diária
2019-11-25 10:36
Frederico Morais de regresso ao WCT após fazer história no Havai

O surfista da Linha de Cascais Frederico Morais conquistou mais um feito histórico para o surf nacional ao sagrar-se vencedor do QS10000 de Haleiwa, no Havai.

Um triunfo que garante matematicamente a entrada de Frederico no circuito mundial (WCT) do próximo ano e que o atira para a liderança do ranking mundial de qualificação (WQS), a apenas uma prova do final da temporada, além de também o colocar na frente da disputa da prestigiada Triple Crown havaiana.

Esta foi a maior vitória de um surfista português na história do circuito WQS, depois dos triunfos de Tiago Pires e do próprio Frederico em etapas QS6000. E aconteceu logo no Havai, a meca do surf mundial. Kikas vingou, assim, a derrota na final desta mesma prova em 2016, ano em que se qualificou pela primeira vez para a elite mundial, depois de ter terminado o derradeiro heat “empatado” com o campeão mundial da altura, o havaiano John John Florence.

Este domingo, Kikas começou por passar o heat dos quartos-de-final após uma renhida disputa, que foi vencida pelo 11 vezes campeão mundial Kelly Slater. Apesar de ter sido superado por Slater, o surfista de Cascais conseguiu ficar à frente do havaiano Barron Mamiya e do australiano Mitch Crews, seguindo para as meias-finais.

Depois, novamente com Slater pelo caminho, Frederico “vingou-se” e venceu a segunda bateria das semifinais, com apenas 7,10 pontos, mostrando sangue frio e ajudando a eliminar aquele que todos consideram o melhor surfista de todos os tempos e ainda o francês e top do WCT Michel Bourez, num dia em que o mar acabou por cair e tornar a missão dos surfistas ainda mais complicada.

No heat de todas as decisões, onde Frederico Morais era o mais experiente na água, tudo começou de uma forma equilibrada, mas, aos poucos, o português foi mostrando o seu melhor surf, tomando a dianteira ainda na primeira metade da bateria. Até final Kikas, que somou 12,77 pontos, limitou-se a gerir, guardando uma preciosa vantagem para o italiano e top mundial Leo Fioravanti, para o sul-africano Matthew McGillivray e ainda para o australiano Ethan Ewing.

No final a festa foi portuguesa, com Frederico a ser carregado em ombros até ao pódio, enquanto a praia o aplaudia em peso. “Tive um ano complicado em 2018, onde acabei por cair do WCT. Por isso, conseguir o regresso este ano foi incrível. Quero agradecer a todos os que acreditaram em mim. Ganhar a Triple Crown seria um sonho. O próximo campeonato é em Sunset, uma onda que também gosto muito, mas vou tentar focar-me apenas em continuar a divertir-me e a tentar surfar o meu melhor”, frisou o surfista da Linha durante a entrega de prémios.

Frederico Morais conseguiu assim a terceira vitória da temporada, depois de já ter vencido o QS3000 de Santa Cruz e o QS6000 dos Açores. Com este novo sucesso, Kikas somou 10000 mil pontos e passa a somar 26400, isolando-se na liderança do WQS, com 2600 de avanço para o mais direto adversário na luta pelo título mundial da divisão de qualificação, algo nunca conseguido por um surfista português.

Este resultado também permitiu ao surfista luso ficar garantido oficialmente no circuito mundial do próximo ano. Depois de ter chegado aos quartos-de-final, Kikas já tinha alcançado a fasquia dos 20 mil pontos, que a WSL apontou como suficiente para a qualificação, mas, desta forma, carimbou definitivamente o regresso a tempo inteiro à elite mundial, de onde saiu no ano passado – entrou em várias etapas este ano, mas com o estatuto de suplente. 

Agora, o circuito WQS ruma a Sunset Beach, também no North Shore de Oahu, no Havai, para aquela que será a última etapa do ano do circuito de qualificação e a segunda e penúltima da Triple Crown havaiana. Depois disso, resta apenas o Pipe Masters, a etapa final do WCT, onde Frederico Morais já está confirmado e onde poderá garantir mais um título inédito para o surf nacional.

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