Director: João Carlos Vieira
Terça, 17 Julho 2018 - Periocidade diária
2018-01-12 17:45
“Filmes que eu amo” por Lauro António, em Oeiras

Lauro António assina mais um ano da Sétima Arte em Oeiras, com a realização da nova edição da Masterclass de História do Cinema, intitulada “Filmes que eu amo”, que decorrerá à tarde, 16H30, até ao final do ano no Auditório Municipal Maestro César Batalha, nas Galerias do Alto da Barra, Avenida das Descobertas 59, em Oeiras.

Desta feita, diz o cineasta, “trata-se de “uma masterclass profundamente pessoal, direi mais, egocêntrica. Não se trata de mostrar e falar sobre os melhores filmes da História do Cinema, mas de filmes que eu amo. Há alguma diferença. Posso achar que um filme é um marco na História do Cinema e não o amar. Acontece. E posso amar um filme a que muito boa gente torça o nariz, e se calhar com razão, e ele aí está porque eu o amo. Não é coisa que me preocupe muito. Todos temos defeitos, deixem-me aproveitar os meus, que são inócuos.

Estes filmes são apenas um exemplo. Que deu um certo trabalho e demorou algum tempo a estabelecer. Resolvi ser implacável à partida: há filmes que amo desesperadamente e que, apesar de já terem passado anteriormente nestas masterclasses, voltam a aparecer. Não os poderia cortar sem amputar a fidelidade que me propus ao meu amor. Mas tive de estabelecer um limite: um título por autor.

Não há 10 de Orson Welles, nem 10 de John Ford, de Vittorio De Sica, de Fellini, de Renoir, de Truffaut, de Misoguchi, de Billy Wilder e por aí fora. Corta-se-me o coração, mas teve de ser. E sempre que não me violentei muito, cortei de um autor um filme que amo, mas já era do conhecimento de quem frequenta regularmente estas masterclasses, e substitui-o por outro do mesmo realizador, mas inédito e de que gosto igualmente muito.

Não me peçam mais sacrifícios. De resto, não aparecem algumas obras-primas indiscutíveis porque simplesmente não as amo, e surgem outras quase desconhecidas que, por uma razão ou outra, amei, amo e julgo amarei. Assim se compreende que não surja Eisenstein, e apareça Dziga Vertov ou Lev Kuleshov. Um exemplo para não me acusarem de perseguição ideológica. Depois explicarei, nas folhas de sala, por que razão, se tiver tempo e engenho.

Os textos que acompanharão estas sessões terão também algumas novidades. Haverá informação e crítica, mas existirá também algo de muito pessoal, que explica a escolha e o amor. Lá terei de explicar porque incluo “Bambi” e “A Violetera”, por exemplo. Para todos os títulos haverá justificações tão pessoais que no final bem se poderá dizer que se trata de uma autobiografia escrita através de filmes.

Assim, além de dar a conhecer as minhas preferências cinematográficas, não como historiador de cinema, mas como mero espectador, ficam os participantes a conhecer um pouco do autor destas masterclasses. Ficam a saber que gosto do fantástico dos anos 30, 50 ou 60, de musicais, de westerns, e que sou capaz de amar tanto “India Song” ou “O Último Ano em Marienbad” como “King Kong” ou “O Homem das Mulheres”. E, se muito crítico diz que “As Portas do Paraíso” é um falhanço, eu acho-o uma obra-prima.

Como não se podem incluir todos os filmes que eu amo num ano de masterclass, esta será dividida em duas partes. Começaremos, como é óbvio, pela primeira, agrupando 60 títulos. Apresentados mais ou menos por ordem alfabética (uma ordenação como qualquer outra, com algumas vantagens) e, aqui e ali alterada, para permitir um filme de Páscoa na altura devida, ou um natalício perto do 25 de Dezembro.

 

PUB
Artigos relacionados:

Coloque as Farmácias de Serviço no seu site