Director: João Carlos Vieira
Sábado, 25 de Novembro de 2017
2017-09-21 17:24
Maria Teresa Horta é a próxima convidada de “Livros Proibidos”, em Oeiras

 O tema da próxima sessão do ciclo de conversas “Livros Proibidos”, da Câmara Municipal de Oeiras, será a obra Novas Cartas Portuguesas, de Maria Teresa Horta, Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa. O encontro está marcado para o dia 4 de outubro, `s 21H30, no Auditório da Biblioteca Municipal de Oeiras. Esta sessão, moderada por Nicolau Santos, conta com a participação de Maria Teresa Horta, escritora conhecida do grande público e uma das autoras deste livro paradigmático e que se tornou num símbolo de luta feminina. A entrada é livre.

Obra escrita a partir de um conjunto de cartas escritas por uma freira portuguesa, enclausurada no convento de Beja, no século XVII, a um oficial francês. O impacto que estas cartas tiveram no século XVII continuou a fazer-se sentir ao longo dos séculos que se seguiram à primeira publicação.

Sujeitas a constantes traduções e reedições em várias línguas, as cartas de Mariana seriam, trezentos anos depois, em 1969, publicadas em edição bilingue pela Assírio & Alvim, com o título Cartas Portuguesas, e em tradução de Eugénio de Andrade.

Foi essa a edição utlizada por Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, como texto matricial justamente pelo peso simbólico de que se revestia a figura de Mariana e pela imagem feminina que delas emergia: o estereótipo da mulher abandonada, suplicante e submissa, alternando entre a adoração e o ódio, e praticando um discurso de paixão avassaladora por aquele (o cavaleiro) que se apaixonara também, mas partira depois, para não mais regressar.

É esta relação de amor e devoção, de subserviência e autovitimização que as três autoras, três séculos depois, aproveitando-lhe os contornos mais gerais, vão desmontar e remontar, estilhaçando fronteiras e limites, quer das temáticas, quer da própria linguagem.

Obra proibida pela censura e julgada em tribunal por imoralidade em 1972. Para as autoras as questões da sexualidade, do erotismo, do direito das mulheres ao prazer, à contraceção e ao aborto, da negação da violência, tinham de romper as barreiras do privado.

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